Retinopatia da Prematuridade. Veja quais são os cuidados para proteger a visão do bebê.

Quando um bebê nasce prematuro, muitos órgãos ainda estão em fase de amadurecimento e isso inclui os olhos.

Entre as condições que precisam de atenção especial está a Retinopatia da Prematuridade (ROP), uma doença que pode evoluir de forma silenciosa, mas que tem tratamento e acompanhamento eficazes quando diagnosticada no tempo certo.

Neste texto, você vai entender de forma simples o que é a ROP, quem tem mais risco, como é feito o diagnóstico e quais são os possíveis tratamentos e consequências a longo prazo.

O que é a Retinopatia da Prematuridade (ROP)?

A Retinopatia da Prematuridade é uma doença ocular que acontece principalmente em bebês prematuros que nascem com menos de 32 semanas de gestação. Ocorre quando os vasos sanguíneos da retina (a parte do olho responsável por captar as imagens) não se desenvolvem da forma correta. O desenvolvimento vascular retiniano completo ocorre entre a 40ª e a 44ª semana de idade gestacional. 

A retina é uma estrutura delicada, localizada no fundo do olho, que funciona como uma “tela” onde a visão é formada.

Em bebês que nascem muito antes do tempo, esse desenvolvimento pode ser interrompido e, quando os vasos voltam a crescer, eles podem crescer de maneira desorganizada e frágil.

Em casos mais graves, esse processo pode evoluir para descolamento de retina e até perda de visão.

Por que a Retinopatia da Prematuridade acontece?

Durante a gestação, os vasos sanguíneos da retina começam a se formar por volta do meio da gravidez e continuam amadurecendo até o fim.

Quando o bebê nasce antes do tempo, esse crescimento pode parar ou ficar incompleto.

Depois do nascimento, o organismo tenta retomar esse desenvolvimento — mas em alguns bebês, esse crescimento ocorre de forma acelerada e irregular, criando vasos muito frágeis, com risco de sangramento e cicatrização.

Ou seja: não é culpa da família e não é algo que poderia ter sido evitado com “mais cuidado”.

A ROP está diretamente ligada ao fato de o bebê ter nascido antes da retina completar o amadurecimento.

Quais bebês têm maior risco de desenvolver ROP?

Atualmente, a principal causa de ROP é o uso mal controlado de oxigenoterapia em recém-nascidos nas unidades de terapia e cuidados intensivos neonatais. 

Muitas revisões sistemáticas, consensos e a Academia Americana de Pediatria estabeleceram uma meta terapêutica de saturação de oxigênio entre 90% e 95%, para evitar o excesso de oxigênio no tratamento dos recém-nascidos prematuros. 

Os fatores mais importantes para o risco de ROP são:

  • Idade gestacional menor que 32 semanas
  • Baixo peso ao nascer (especialmente abaixo de 1500g)

Mas outros fatores também aumentam o risco, principalmente quando o bebê precisou de cuidados intensivos na UTI neonatal, como:

  • necessidade de oxigênio suplementar
  • dificuldade respiratória
  • anemia
  • transfusão de sangue
  • baixo ganho de peso
  • infecções
  • doenças graves associadas à prematuridade (como distúrbios pulmonares)
  • pior estado clínico geral

Quais são os sinais e sintomas?

Essa é uma das partes mais importantes:

 Nos estágios iniciais, a ROP não apresenta sintomas visíveis.

Ou seja: o bebê pode parecer “bem”, reagir normalmente, abrir os olhos, e mesmo assim a retina pode estar passando por alterações.

Por isso, o diagnóstico depende do rastreamento com exame oftalmológico e não da percepção dos pais.

Nos casos mais avançados, pode haver sinais como:

  • alteração do reflexo vermelho (o olho pode apresentar um reflexo mais claro/esbranquiçado)
  • perda progressiva de visão (difícil de perceber em recém-nascidos)
  • em casos graves: descolamento de retina

Como é feito o diagnóstico da Retinopatia da Prematuridade?

A ROP é diagnosticada por um oftalmologista, por meio de um exame chamado:

exame de fundo de olho, realizado com dilatação da pupila

Esse exame é feito ainda durante o acompanhamento do prematuro na UTI neonatal ou após a alta, dependendo do caso.

Quem deve fazer esse rastreio?

De forma geral, são rastreados:

  • bebês com peso ao nascer menor que 1500g
  • bebês com idade gestacional inferior a 32 semanas
  • e também outros bebês considerados de alto risco pelo neonatologista

O primeiro exame costuma acontecer por volta de 28 dias de vida, e os retornos podem ser frequentes até a retina amadurecer por completo.

Como a Retinopatia da Prematuridade é classificada?

A ROP  tem graus e fases.

O especialista avalia:

  • Zona: onde está localizada a alteração na retina
  • Estágio: o quanto a doença avançou
  • Doença Plus: quando os vasos ficam mais dilatados e tortuosos, indicando maior gravidade

De forma simplificada, os estágios incluem:

  • Estágio 1: aparece uma linha de demarcação entre a retina madura e a imatura
  • Estágio 2: essa linha vira uma “crista”, mais elevada
  • Estágio 3: surgem vasos anormais (neovasos) frágeis e desorganizados

Nos casos mais graves, pode haver descolamento de retina, com risco de perda visual

A Retinopatia da Prematuridade tem tratamento?

Sim! E quanto mais cedo for detectada, melhores são as chances de proteger a visão do bebê.

O tratamento depende da gravidade.

Quando não precisa tratar?

Em muitos bebês, a ROP é leve e se resolve sozinha, apenas com acompanhamento até os vasos amadurecerem.

Quando precisa tratar?

Nos casos moderados a graves, o médico pode indicar:

  •  Fotocoagulação a laser

O laser é aplicado em áreas específicas da retina para reduzir o estímulo do crescimento anormal dos vasos, diminuindo o risco de descolamento.

  •  Injeção intraocular de medicação anti angiogênica 

Medicação que ajuda a interromper o crescimento anormal dos vasos na retina, usado em casos selecionados.

  •  Cirurgia (em casos com descolamento de retina)

Quando já existe descolamento parcial ou total, pode ser necessário procedimento cirúrgico para tentar preservar a visão.

Quais podem ser as sequelas a longo prazo?

Mesmo quando a ROP melhora ou se resolve, alguns bebês podem ter maior risco de alterações visuais no futuro, como:

  • miopia
  • estrabismo
  • ambliopia (olho “preguiçoso”)
  • cicatrizes na retina
  • risco aumentado de descolamento de retina mais tarde na vida
  • em casos raros: glaucoma e catarata

 Por isso, bebês que tiveram ROP (principalmente moderada ou grave) devem manter seguimento oftalmológico, inclusive ao longo da infância.

O que os pais precisam lembrar sobre a ROP?

Se você está vivendo a prematuridade, guarde isso com carinho:

 A Retinopatia da Prematuridade pode ser silenciosa, mas não é invisível para a medicina.

Com rastreio adequado, acompanhamento e tratamento quando indicado, é possível proteger a visão do bebê.

A sua parte como família é uma das mais importantes:

  •  comparecer aos exames
  •  seguir os retornos indicados
  •  manter o acompanhamento mesmo após a alta

Se você tem um bebê prematuro e quer saber mais, converse sempre com o neonatologista e a equipe que acompanha seu filho. Informação e apoio fazem toda a diferença nesse momento delicado.

Mantenha-se informada, busque um atendimento individualizado, humanizado e especializado para escolher as melhores opções de tratamentos. Você pode ter mais informações clicando aqui. 

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Dra. Jessica Soares⠀

Pediatra e Neonatologista⠀

CRM-SP 126.429 | RQE 60.897

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