Em 2026, o SUS passou a disponibilizar o nirsevimabe para grupos de crianças com maior risco de formas graves do Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Entre os elegíveis estão bebês prematuros nascidos com até 36 semanas e 6 dias, desde que tenham menos de 6 meses no momento da administração, além de crianças menores de 24 meses com determinadas condições clínicas. O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal de longa duração, não uma vacina tradicional. Serviços e Informações do Brasil
O Vírus Sincicial Respiratório, conhecido como VSR, é uma das principais causas de infecções respiratórias em bebês e crianças pequenas. Ele pode causar quadros de bronquiolite e pneumonia e tende a preocupar especialmente nos primeiros meses de vida.
Prematuros e crianças com algumas condições clínicas apresentam maior risco de evolução para formas graves.
Em 2026, uma mudança importante passou a fazer parte da estratégia de prevenção do SUS: a disponibilização do nirsevimabe, um anticorpo monoclonal de longa duração que fornece proteção direta contra o VSR. Serviços e Informações do Brasil
Com isso, muitas famílias passaram a perguntar:
Todo bebê prematuro pode receber nirsevimabe? A proteção está disponível o ano inteiro? É uma vacina? E se a mãe recebeu a vacina contra VSR na gestação?
A seguir, explico os principais pontos.
O que é o nirsevimabe?
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal de longa duração utilizado para prevenir formas graves de doença causada pelo VSR.
Ele oferece anticorpos prontos para a criança.
Por isso, funciona de maneira diferente de uma vacina tradicional.
Nas vacinas, o organismo recebe um estímulo e passa a produzir sua própria resposta imunológica. Já com o nirsevimabe, o anticorpo responsável pela proteção é administrado diretamente.
Esse processo é chamado de imunização passiva.
A estratégia oferece proteção prolongada e, na primeira sazonalidade, utiliza uma dose única definida de acordo com o peso da criança. Serviços e Informações do Brasil
Nirsevimabe é vacina contra o VSR?
Não. O nirsevimabe não é uma vacina.
Ele é um anticorpo monoclonal.
Essa diferença é importante porque, em 2026, existem estratégias distintas de prevenção contra o VSR no SUS.
Uma delas envolve a vacinação da gestante. Outra utiliza o nirsevimabe diretamente em determinadas crianças consideradas elegíveis.
As duas estratégias procuram reduzir o risco de doença grave causada pelo VSR, mas atuam de maneiras diferentes. Serviços e Informações do Brasil
Quais bebês prematuros podem receber nirsevimabe pelo SUS em 2026?
De acordo com o guia atualizado do Ministério da Saúde, são elegíveis para a estratégia os bebês prematuros que nasceram com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias e que tenham menos de 6 meses de idade no momento da administração.
O peso ao nascer não exclui a criança desse grupo.
Portanto, a regra não se limita aos prematuros extremos ou aos bebês que permaneceram internados por muito tempo em uma UTI neonatal. Serviços e Informações do Brasil
Resposta direta
Para prematuros, os principais critérios previstos são:
- nascimento com até 36 semanas e 6 dias de gestação;
- idade inferior a 6 meses, ou seja, até 5 meses e 29 dias, dentro dos critérios da estratégia;
- qualquer peso corporal;
- elegibilidade independente do histórico de vacinação materna contra o VSR. Serviços e Informações do Brasil
Esse detalhe da idade é importante.
Dizer apenas que “todo bebê nascido antes de 37 semanas pode receber” deixa a informação incompleta. A idade cronológica da criança no momento da administração também faz parte dos critérios oficiais.
Um bebê que nasceu com 35 ou 36 semanas pode receber?
Sim, desde que cumpra os demais critérios da estratégia.
Um bebê que nasceu, por exemplo, com 35 semanas é prematuro e está dentro do limite gestacional estabelecido pelo Ministério da Saúde.
O protocolo utiliza como referência a idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias.
Portanto, o nirsevimabe não está restrito apenas a recém-nascidos extremamente prematuros.
Entretanto, a criança também precisa estar dentro da faixa etária prevista pelo protocolo. Serviços e Informações do Brasil
É necessário ter passado pela UTI neonatal?
Não.
A permanência em UTI neonatal não é o critério que define a elegibilidade dos prematuros.
Um bebê pode ter nascido prematuro, apresentar boa evolução e receber alta rapidamente. Mesmo assim, sua idade gestacional pode colocá-lo dentro dos critérios estabelecidos.
Da mesma forma, ter permanecido na UTI não significa automaticamente que qualquer criança poderá receber nirsevimabe.
A equipe precisa considerar idade gestacional, idade cronológica e, quando aplicável, as condições clínicas previstas no protocolo.
Crianças que não são prematuras também podem receber nirsevimabe?
Sim.
O SUS também contempla crianças menores de 24 meses com determinadas condições que aumentam o risco de doença grave pelo VSR.
O guia do Ministério da Saúde inclui, conforme critérios clínicos específicos:
- cardiopatia congênita com repercussão clínica;
- broncodisplasia;
- imunocomprometimento grave;
- síndrome de Down;
- fibrose cística;
- doença neuromuscular;
- anomalias congênitas das vias aéreas. Serviços e Informações do Brasil
Nesse grupo, não basta apenas possuir o nome de uma condição no prontuário.
Algumas situações têm critérios adicionais de inclusão e exclusão. Por isso, a avaliação individual e a conferência do protocolo são fundamentais.
Crianças com comorbidades podem receber até qual idade?
Para os grupos de risco definidos pelo Ministério da Saúde, a estratégia contempla crianças com menos de 24 meses, ou seja, até 1 ano, 11 meses e 29 dias, conforme os critérios clínicos específicos.
A indicação também pode considerar em qual sazonalidade do VSR a criança se encontra. Serviços e Informações do Brasil
Por isso, duas crianças da mesma idade podem receber orientações diferentes dependendo do diagnóstico e de sua história clínica.
Quando o nirsevimabe é oferecido aos prematuros?
O Ministério da Saúde estabeleceu uma estratégia específica para os prematuros elegíveis.
Para esse grupo, a administração pode acontecer ao longo de todo o ano, preferencialmente ainda na maternidade quando houver possibilidade e organização para isso. Serviços e Informações do Brasil
Isso é especialmente relevante porque o objetivo é proteger o bebê em uma fase de maior vulnerabilidade.
Já para crianças com comorbidades, a estratégia se relaciona à sazonalidade do VSR e aos critérios específicos de primeira ou segunda temporada.
Qual é a época de maior circulação do VSR?
Para a estratégia nacional, o Ministério da Saúde considera fevereiro a agosto como período de maior circulação do VSR.
Esse período é chamado de sazonalidade. Serviços e Informações do Brasil
No entanto, o momento da circulação viral pode apresentar variações regionais.
Por isso, famílias devem seguir o fluxo estabelecido pela rede de saúde e pelas orientações da equipe que acompanha a criança.
E se a mãe recebeu vacina contra VSR durante a gestação?
Esse é um dos pontos que mais geram dúvida.
De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, para os prematuros elegíveis, a indicação do nirsevimabe ocorre independentemente do histórico de vacinação materna contra o VSR. Serviços e Informações do Brasil
Isso significa que a família não deve concluir sozinha que o bebê deixou de ser elegível apenas porque a mãe recebeu a vacina durante a gestação.
O correto é informar esse histórico ao pediatra, neonatologista ou serviço responsável pela imunização.
A equipe poderá verificar todos os critérios e orientar a melhor conduta.
Por que os bebês prematuros merecem atenção especial contra o VSR?
O bebê prematuro nasce antes de completar todas as etapas de amadurecimento que aconteceriam durante as últimas semanas da gestação.
Isso também envolve o sistema respiratório e imunológico.
Quanto menor a idade gestacional, menor foi o tempo disponível para o amadurecimento pulmonar.
Além disso, alguns prematuros enfrentaram durante a internação situações como necessidade prolongada de oxigênio ou ventilação mecânica.
Outros desenvolveram broncodisplasia ou apresentam condições adicionais que aumentam sua vulnerabilidade.
Por esses motivos, o VSR pode representar risco maior nesse grupo.
O Ministério da Saúde destaca que a doença costuma ser mais grave nos primeiros seis meses de vida, principalmente entre prematuros e crianças com determinadas condições clínicas. Serviços e Informações do Brasil
O nirsevimabe impede que o bebê pegue VSR?
Não devemos interpretar a proteção dessa maneira.
O principal objetivo do nirsevimabe é reduzir o risco de doença grave causada pelo VSR.
A criança ainda pode entrar em contato com o vírus e desenvolver uma infecção respiratória.
Por isso, receber o anticorpo não significa que ela ficará totalmente protegida de qualquer quadro respiratório.
Também existem outros vírus capazes de causar bronquiolite, pneumonia e síndrome respiratória aguda grave.
A prevenção deve fazer parte de um conjunto de cuidados.
Qual é a diferença entre nirsevimabe e palivizumabe?
Os dois são anticorpos monoclonais utilizados na prevenção contra doença causada pelo VSR.
Porém, existem diferenças importantes.
O palivizumabe possui duração mais curta e, tradicionalmente, exige aplicações mensais durante a sazonalidade.
O nirsevimabe apresenta ação mais prolongada e pode oferecer proteção durante a temporada com uma única dose na primeira sazonalidade.
Em 2026, o Ministério da Saúde estabeleceu regras específicas para a transição entre as duas tecnologias. Portanto, alguns grupos que já haviam iniciado estratégias anteriores com palivizumabe podem seguir orientações próprias. Serviços e Informações do Brasil
Isso significa que as famílias não devem trocar ou escolher um medicamento por conta própria.
O nirsevimabe substitui todos os cuidados contra infecções respiratórias?
Não.
Mesmo depois da imunização, continuam importantes medidas básicas para reduzir a exposição do bebê aos vírus respiratórios.
Entre elas estão:
- lavar ou higienizar as mãos antes de tocar no bebê;
- evitar contato próximo com pessoas gripadas ou com sintomas respiratórios;
- evitar ambientes muito fechados e cheios, principalmente quando o bebê apresenta maior vulnerabilidade;
- manter consultas e imunizações atualizadas;
- evitar exposição à fumaça de cigarro;
- procurar atendimento quando aparecerem sinais de piora.
Para prematuros que acabaram de receber alta hospitalar, esses cuidados merecem atenção ainda maior.
Quais sinais de VSR ou bronquiolite precisam de avaliação rápida?
Infecções respiratórias podem começar com sintomas semelhantes aos de um resfriado.
Entretanto, alguns sinais indicam necessidade de avaliação médica.
Procure atendimento rapidamente se o bebê apresentar:
- dificuldade para respirar;
- respiração muito rápida;
- esforço importante para respirar;
- chiado intenso;
- lábios ou unhas arroxeados;
- sonolência excessiva ou prostração;
- dificuldade importante para mamar;
- redução relevante da ingestão de líquidos;
- piora progressiva dos sintomas.
O Ministério da Saúde recomenda avaliação rápida diante desses sinais, especialmente em bebês. Serviços e Informações do Brasil
O nirsevimabe é aplicado em dose única?
Na primeira sazonalidade, o nirsevimabe utiliza dose única, e a quantidade depende do peso da criança.
Segundo o guia nacional, crianças com menos de 5 kg recebem 50 mg. A partir de 5 kg, a dose recomendada para a primeira sazonalidade é de 100 mg. Serviços e Informações do Brasil
Crianças com comorbidades que chegam a outras sazonalidades podem ter esquemas diferentes.
Por isso, a dose sempre deve ser determinada pelo serviço de saúde de acordo com idade, peso, grupo de risco e protocolo vigente.
Onde o bebê recebe nirsevimabe pelo SUS?
A organização pode variar conforme o estado, o município e a estrutura da rede local.
O Ministério da Saúde orienta que a aplicação ocorra prioritariamente na Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais, incluindo os serviços de referência, e preferencialmente ainda na maternidade quando possível. Serviços e Informações do Brasil
Por isso, uma família com bebê potencialmente elegível deve procurar informações com:
- maternidade onde ocorreu o nascimento;
- pediatra ou neonatologista;
- unidade de saúde;
- serviço de imunização especializado indicado pela rede local.
Não é necessário esperar aparecer uma infecção respiratória para perguntar sobre a proteção.
Meu bebê nasceu prematuro. O que devo levar para verificar a elegibilidade?
Alguns documentos e informações podem facilitar a avaliação.
Tenha em mãos, sempre que possível:
- caderneta da criança;
- resumo ou relatório da alta neonatal;
- idade gestacional registrada no nascimento;
- peso ao nascer;
- documentação sobre internação e possíveis diagnósticos;
- histórico de vacinação;
- informações sobre condições cardíacas, pulmonares, neurológicas ou imunológicas.
O ponto mais importante é a idade gestacional correta.
Para o grupo dos prematuros, a diferença entre 36 semanas e 6 dias e 37 semanas completas interfere diretamente no critério estabelecido pelo Ministério da Saúde.
Todo prematuro tem direito ao nirsevimabe pelo SUS?
Não necessariamente.
Essa frase precisa ser interpretada com cuidado.
A estratégia inclui prematuros nascidos com até 36 semanas e 6 dias, mas também estabelece limite de idade para a administração.
Em 2026, o protocolo considera os prematuros com idade inferior a 6 meses, além dos demais critérios previstos pela estratégia. Serviços e Informações do Brasil
Portanto, o nascimento prematuro é um critério importante, mas não deve ser analisado isoladamente.
O acompanhamento do prematuro vai além da prevenção contra o VSR
Para uma família que acabou de sair da UTI neonatal, é natural que a prevenção de novas internações seja uma preocupação importante.
Entretanto, o seguimento do prematuro envolve vários aspectos.
Nas consultas, acompanhamos:
- crescimento;
- ganho de peso;
- alimentação;
- sono;
- vacinação e imunização;
- desenvolvimento motor;
- desenvolvimento neurológico;
- visão e audição;
- idade corrigida;
- possíveis consequências da prematuridade.
Por isso, a consulta de seguimento também é um bom momento para revisar se a criança está dentro dos critérios para o nirsevimabe e quais outros cuidados precisam ser organizados.
Nirsevimabe para prematuros em São Paulo: como buscar orientação?
Famílias de prematuros em São Paulo podem conversar com o pediatra ou neonatologista sobre a elegibilidade da criança e confirmar o fluxo definido pela rede pública para a administração do anticorpo.
A Dra. Jessica Soares, Pediatra e Neonatologista, acompanha recém-nascidos e bebês prematuros, incluindo o período após a alta da maternidade ou da UTI neonatal.
Nessas consultas, o histórico do nascimento pode ser revisado em conjunto com crescimento, alimentação, desenvolvimento e estratégias de prevenção.
Perguntas frequentes sobre nirsevimabe em 2026
Nirsevimabe é vacina?
Não. O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal de longa duração. Ele oferece anticorpos prontos, caracterizando uma forma de imunização passiva.
Um bebê de 35 semanas pode receber nirsevimabe pelo SUS?
Pode estar dentro do grupo elegível, pois nasceu antes de 37 semanas. Porém, também precisa cumprir o limite de idade e os demais critérios previstos pelo Ministério da Saúde.
Um bebê de 36 semanas pode receber?
Sim, pode ser elegível. O protocolo inclui prematuros com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, desde que cumpram os demais critérios.
Um bebê nascido com 37 semanas pode receber por ser pequeno?
O baixo peso, isoladamente, não enquadra a criança no grupo de prematuros. Entretanto, ela poderá ter indicação se apresentar alguma das condições clínicas contempladas pelo protocolo.
A mãe recebeu a vacina contra VSR. O prematuro ainda pode receber nirsevimabe?
Segundo o protocolo nacional, os prematuros elegíveis podem receber nirsevimabe independentemente do histórico de vacinação materna contra o VSR. Serviços e Informações do Brasil
Prematuro precisa ter menos de 6 meses?
Sim. Para o grupo de prematuros, o protocolo estabelece idade inferior a seis meses no momento da administração, conforme os critérios vigentes em 2026. Serviços e Informações do Brasil
O nirsevimabe protege contra bronquiolite?
Ele atua especificamente contra o VSR e busca reduzir formas graves da doença provocada por esse vírus. Como outros agentes também podem causar bronquiolite, a proteção não elimina todos os episódios de bronquiolite.
Quem recebeu palivizumabe pode trocar para nirsevimabe?
Em 2026 existem regras específicas de transição. O Ministério da Saúde orienta que crianças que já iniciaram determinado esquema sigam as regras previstas para aquele grupo. A troca não deve ser feita sem orientação do serviço responsável. Serviços e Informações do Brasil
Nirsevimabe no SUS representa um avanço na proteção dos prematuros
A chegada do nirsevimabe pelo SUS em 2026 ampliou as possibilidades de prevenção contra formas graves de doença causada pelo VSR.
Para famílias de bebês prematuros, essa informação é especialmente relevante.
No entanto, é importante compreender os critérios corretamente.
O protocolo contempla prematuros nascidos com até 36 semanas e 6 dias e com menos de 6 meses no momento da administração, além de crianças menores de 24 meses pertencentes a grupos específicos de risco.
A avaliação individual continua sendo essencial.
Se o seu bebê nasceu prematuro, leve a informação da idade gestacional para a próxima consulta e converse com o pediatra ou neonatologista sobre a estratégia indicada.
Dra. Jessica Soares
Pediatra e Neonatologista
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.
Atualizado em outubro de 2026.

