Apneia da Prematuridade. Veja Como Reconhecer e conduzir de Forma Segura!

A chegada de um bebê muito prematuro envolve muitos cuidados especiais. Entre eles, um dos mais comuns e que costuma gerar bastante ansiedade nas famílias é a apneia da prematuridade.Apesar de assustar, essa condição tem causas bem estabelecidas e, na maioria das vezes, evolui muito bem com o suporte adequado.

Neste artigo, você vai entender o que é, por que acontece, como diagnosticar e tratar a apneia da prematuridade.

O que é Apneia da prematuridade?

A Apneia da prematuridade é definida como pausas respiratórias que duram mais de 20 segundos ou interrupções mais curtas, acompanhadas de sinais como:

  • Bradicardia (redução da frequência cardíaca abaixo de 80 batimentos por minuto),
  • Cianose (coloração azulada da pele e mucosas),
  • Queda da saturação de oxigênio abaixo de 85%.

Ela é considerada um distúrbio relacionado à imaturidade dos sistemas de controle respiratório do cérebro e da mecânica respiratória do bebê, ou seja, é um reflexo de que a respiração ainda está em desenvolvimento.

Ela ocorre em até 85% dos pré-termo com menos de 30 semanas de nascimento e chega a atingir 100% dos menores de 28 semanas.

 É importante ressaltar que essa condição ocorre exclusivamente em recém-nascidos prematuros, com menos de 37 semanas de idade gestacional, e na ausência de outras doenças que justifiquem o quadro.

Por que a Apneia acontece?

O controle da respiração é comandado por regiões específicas do cérebro (tronco encefálico). Nos bebês que nasceram antes do tempo, esses centros ainda não estão completamente maduros. Assim, podem ocorrer pausas respiratórias espontâneas.

Existem três tipos de apneia:

  •  Apneia central: O tipo mais comum. A respiração para porque o estímulo nervoso simplesmente não chega aos músculos respiratórios.

  •  Apneia obstrutiva: O bebê faz esforço respiratório, mas há obstrução parcial ou total das vias aéreas (por exemplo, pelo relaxamento excessivo da musculatura da garganta ou pela posição do pescoço).

  •  Apneia mista: Combinação dos dois mecanismos. É bastante frequente.

Além da imaturidade, fatores como alterações da temperatura, refluxo, infecções, distúrbios metabólicos e até estímulos ambientais podem aumentar a frequência dos episódios.

Quando ela costuma aparecer?

Na maior parte dos casos, a Apneia da prematuridade surge entre o primeiro e o sétimo dia de vida, e sua frequência e gravidade são mais mais intensas quanto menor for a idade gestacional. 

Também é importante diferenciar a apneia de respiração periódica, um padrão normal em prematuros, que se caracteriza por pausas curtas (<20 segundos) sem cianose ou bradicardia.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado em:

Monitorização cardiorrespiratória contínua, que identifica pausas respiratórias e alterações de frequência cardíaca e oxigenação.


Avaliação clínica detalhada, para excluir outras causas, como sepse, hemorragia intracraniana, hipoglicemia e distúrbios metabólicos.

Nem toda apnéia prolongada é “simplesmente” Apnéia da prematuridade. Por isso, o acompanhamento cuidadoso na UTI Neonatal é essencial.

Quais exames devem ser solicitados? 

Devemos ter em mente que Apneia da prematuridade é um diagnóstico de exclusão, portanto, para se ter a certeza do diagnóstico, alguns exames são necessários: 

  • Hemograma, PCR, eletrólitos, gasometria arterial, culturas, glicemia capilar.
  • RX Tórax 
  • Ultrassonografia (USG) transfontanela
  • ecocardiograma.

A polissonografia pode ser acrescentada na investigação de apneia em pré-termo tardio que já recebeu cafeína e mantém episódios de apneia ou volta a apresentar apneia após a suspensão da cafeína, ou em RN a termo com apneias, após descartar outras causas.

Quais são os riscos?

Os principais riscos associados a episódios prolongados e frequentes são:

  •  Hipoxemia (queda do oxigênio no sangue)
  • Bradicardia significativa
  • Cianose
  • Necessidade de ventilação assistida

Apesar de assustar, a evolução costuma ser muito boa com tratamento e monitoramento adequados.

Como é o tratamento?

O tratamento envolve:

  • Estimulação tátil gentil: Quando o episódio ocorre, muitas vezes basta estimular levemente o bebê (tocar ou movimentar com cuidado) para que a respiração retome.
  • Uso de cafeína: É o medicamento mais utilizado em ambiente hospitalar. Atua como estimulante respiratório e tem bom perfil de segurança.
  • CPAP nasal (pressão positiva contínua) e Ventilação não-invasiva: Nos casos mais graves ou frequentes, ajuda a manter as vias aéreas abertas e reduzir os episódios.
  • Ventilação mecânica: Indicada apenas em casos que não respondem a outras medidas.

O tratamento costuma seguir até a idade corrigida do bebê atingir 34 semanas ou até que ele permaneça sem episódios por pelo menos 5 a 7 dias.

O que acontece depois da alta?

Quando os episódios deixam de ocorrer, a cafeína é suspensa e o bebê é observado alguns dias para garantir que não haja nova apneia. Geralmente, quando o bebê já tem mais de 37 semanas de idade corrigida e já está com 7 dias sem tratamento e sem Apneia, é um momento seguro para a alta hospitalar. 

É importante ressaltar que Apneia persistente, além de 38 semanas de idade corrigida, é mais frequente nos RN com idade gestacional de 24 a 26 semanas ao nascer e nos que evoluíram com displasia broncopulmonar (DBP). Esse é um dos motivos pelo qual esses RN frequentemente tem tempo de internação maior.

Se você tem um bebê prematuro e quer saber mais, converse sempre com o neonatologista e a equipe que acompanha seu filho. Informação e apoio fazem toda a diferença nesse momento delicado

Mantenha-se informada, busque um atendimento individualizado, humanizado e especializado para escolher as melhores opções de tratamentos. Você pode ter mais informações clicando aqui. Também, acesse minha página no Facebooke o perfil do Instagram para ter acesso a conteúdos de valor sobre saúde infantil.

Dra. Jessica Soares⠀

Pediatra e Neonatologista⠀

CRM-SP 126.429 | RQE 60.897

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