Os primeiros dias com um recém-nascido costumam trazer muitas dúvidas.
É normal o bebê dormir bastante?
E se mamar menos em uma mamada?
Respirar mais rápido às vezes é esperado?
Quando o choro deixa de ser apenas uma adaptação e passa a exigir avaliação?
Nem toda mudança significa que existe um problema. Mas alguns sinais merecem atenção porque, nessa fase da vida, o bebê ainda tem pouca reserva para lidar com alterações importantes.
Conhecer esses sinais ajuda a família a buscar avaliação no momento adequado.
1. Dificuldade para mamar ou recusa persistente das mamadas
A alimentação é uma das melhores formas de observar como o recém-nascido está se adaptando.
É possível haver diferenças entre uma mamada e outra. Porém, quando o bebê passa a ter dificuldade persistente para mamar, apresenta sucção muito fraca, recusa repetidamente o peito ou a mamadeira ou parece não ter energia para se alimentar, é importante investigar.
Alguns sinais que podem acompanhar essa mudança são:
- bebê muito sonolento e difícil de despertar para mamar;
- mamadas muito curtas e pouco efetivas;
- redução importante da quantidade de mamadas;
- menos fraldas molhadas;
- dificuldade para coordenar sucção, deglutição e respiração;
- mudança perceptível no comportamento habitual.
A avaliação não considera apenas “quanto o bebê mamou”.
Também é importante observar hidratação, peso, eliminações e estado geral.
2. Alterações na respiração
Recém-nascidos podem apresentar um padrão respiratório diferente do de crianças maiores e adultos.
Ainda assim, alguns sinais não devem ser ignorados.
Respiração persistentemente muito rápida, esforço para respirar, afundamento da região entre ou abaixo das costelas, gemência, abertura excessiva das narinas ou coloração azulada ao redor dos lábios são sinais que precisam de avaliação médica.
Um bebê com dificuldade respiratória também pode apresentar dificuldade para mamar justamente porque precisa interromper a alimentação para respirar.
Nessa idade, alterações respiratórias importantes devem ser avaliadas rapidamente.
3. Mudança importante no comportamento ou na temperatura
Os pais começam rapidamente a reconhecer o jeito do próprio bebê.
Por isso, uma mudança significativa costuma chamar atenção.
Um recém-nascido que fica muito prostrado, excessivamente sonolento, difícil de despertar, menos responsivo ou muito diferente do habitual precisa ser observado com cuidado.
A temperatura também merece atenção especial.
Em bebês com menos de 3 meses, temperatura de 38 °C ou mais deve ser avaliada por um profissional de saúde com rapidez, mesmo quando não existem outros sintomas aparentes.
Nessa faixa etária, a febre pode ser um dos primeiros sinais de uma infecção que precisa ser investigada.
“Mas recém-nascido não dorme quase o tempo todo?”
Sim. Dormir bastante é esperado nessa fase.
O ponto principal não é simplesmente quantas horas o bebê dormiu, e sim como ele se comporta quando é acordado.
Ele desperta para mamar?
Consegue sugar?
Reage ao toque?
Tem períodos em que fica mais alerta?
O comportamento está parecido com o dos dias anteriores?
Essas informações ajudam bastante durante uma avaliação pediátrica.
Outros sinais também merecem atenção
Além dos três pontos anteriores, existem outras situações que devem ser discutidas com o pediatra, especialmente quando surgem de maneira intensa ou acompanhadas de mudança no estado geral.
Entre elas estão vômitos repetidos, coloração muito amarelada da pele, diminuição importante do xixi, alterações no umbigo, movimentos diferentes do habitual ou choro inconsolável.
O mais importante é não tentar interpretar cada sinal isoladamente.
Idade, histórico do nascimento, prematuridade, ganho de peso, alimentação e outras características precisam ser consideradas.
Pais não precisam esperar o bebê “ficar muito mal”
Uma dúvida frequente é: “será que estou exagerando?”
Nos primeiros meses de vida, especialmente no período neonatal, é melhor esclarecer uma mudança importante do que esperar que ela se intensifique.
Se o bebê apresenta dificuldade para respirar, coloração azulada, dificuldade importante para acordar, convulsão, febre ou piora evidente do estado geral, a orientação é buscar avaliação médica imediata.
Observar também faz parte do cuidado
Conhecer o padrão habitual do recém-nascido ajuda muito.
Como ele costuma mamar?
Quantas fraldas molha?
Como reage quando acorda?
Como está o choro?
A respiração parece confortável?
São detalhes simples, mas que ajudam pais e pediatra a perceber mudanças precocemente.
O objetivo não é fazer com que a família viva em alerta constante.
É dar informação para que mães e pais consigam atravessar essa fase com mais segurança e saibam reconhecer quando o bebê precisa ser avaliado.
Dra. Jéssica Soares
Pediatra e Neonatologista
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual do pediatra. Em situações de urgência ou diante de piora do estado geral do recém-nascido, procure atendimento médico imediatamente.

